NOÇÕES SOBRE A FORMAÇÃO DAS DANÇAS POPULARES

16/06/2010 01:25

                                                                                                               

CURSO DE DANÇAS GAÚCHAS DE SALÃO

 

NOÇÕES SOBRE A FORMAÇÃO DAS DANÇAS POPULARES

 

SAUDAÇÃO

Existe uma maneira tradicional (tipo intermédio entre os costumes primitivos e os atuais) pela qual o gaúcho "tira uma moça" para dançar. Ele leva consigo um pequeno lenço (tamanho "de bolso"), preso entre a camisa e o cinto. Chegando à frente da moça com quem deseja dançar, ele inclina levemente a cabeça, num ligeiro curvar, ao mesmo tempo que lhe alcança a mão direita, com a qual segura o citado lenço. A moça, aceitando o convite, alcança sua mão esquerda ao rapaz. Dessa forma, os dois se tomam pelas mãos, mas separados pelo lenço, que impede que a mão do rapaz "suje" a mão de sua companheira.

Assim feito, o rapaz conduz sua companheira até o salão, ou até o lugar que lhes caiba numa dança de conjunto, segundo a colocação do par-guia ou a ordem dada pelo "Marcante" (coordenador de movimentos).

Chegando ao lugar onde iniciarão a dança (posição inicial), eles executam um "giro - saudação".

Chama-se giro-saudação ou, simplesmente, giro, o ato pelo qual a moça, tomada pela mão direita de seu companheiro, realiza uma volta inteira em torno do próprio corpo (girando sobre uma "meia-planta" ou executando passos), sob o braço esquerdo. No preciso momento em que a moça completa a volta, o par solta-se das mãos e efetua um respeitoso cumprimento: a mulher realiza uma pequena flexão de joelhos, e o homem inclina levemente a cabeça, ao mesmo tempo que torna a guardar, entre o cinto e a camisa, o pequeno lenço com o qual convidara sua companheira para a dança. (figura abaixo).

 

 

 

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DANÇAS

As danças estão impregnadas do verdadeiro sabor crioulo do Rio Grande do Sul, são legítimas expressões da alma gauchesca. Em todas elas está presente o espírito de fidalguia e de respeito à mulher, que sempre caracterizou o campesino rio-grandense. Todas elas dão margem a que o gaúcho extravase sua impressionante teatralidade.

Danças que sufoquem a teatralidade do gaúcho, ou que venham colidir com o respeito que o gaúcho nutre pela mulher, jamais poderiam ter vingado no ambiente gauchesco.

Donde as danças gaúchas surgiram é problema secundário. O que interessa é sabermos que elas realmente animaram as festas do Rio Grande tradicional, e representaram um incentivo de alegria aos forjadores da grandeza histórica de nosso rincão.

Estas danças são gaúchas não porque tivessem se originado inteiramente no ambiente campeiro, mas porque o gaúcho - recebendo-as de onde quer que fosse - lhes deu música, detalhes, colorido e alma nativa.

 

 

 

 

As danças estão impregnadas do verdadeiro sabor crioulo do Rio Grande do Sul, são legítimas expressões da alma gauchesca. Em todas elas está presente o espírito de fidalguia e de respeito à mulher, que sempre caracterizou o campesino rio-grandense. Todas elas dão margem a que o gaúcho extravase sua impressionante teatralidade.

Danças que sufoquem a teatralidade do gaúcho, ou que venham colidir com o respeito que o gaúcho nutre pela mulher, jamais poderiam ter vingado no ambiente gauchesco.

Donde as danças gaúchas surgiram é problema secundário. O que interessa é sabermos que elas realmente animaram as festas do Rio Grande tradicional, e representaram um incentivo de alegria aos forjadores da grandeza histórica de nosso rincão.

 

 

 

 

Estas danças são gaúchas não porque tivessem se originado inteiramente no ambiente campeiro, mas porque o gaúcho - recebendo-as de onde quer que fosse - lhes deu música, detalhes, colorido e alma nativa.

"Nada mais universal que o folclórico; nada mais regional que o folclórico" - escreveu o musicólogo argentino Carlos Vega em um de seus magistrais trabalhos. - São universais os elementos; são regionais as combinações. Pois o que confere fisionomia regional a cada região não é tanto a matéria original como o produto de suas especiais e singulares maneiras de superposição e mescla".

Este conceito parece sintetizar ao máximo o processo de formação das danças populares. As danças de salão são lançadas por um foco das "modas" - um foco universal - e daí ganham as capitais, as cidades, as vilas, até chegarem ao meio rural. Descem das camadas superiores - superiores do ponto de vista sociológico - até as camadas inferiores, amoldando-se, nesta longa migração, às características psicológicas e principalmente à instrumentação musical típica de cada povo.

A música popular pode ser uma manifestação puramente individual. A dança popular sempre será uma manifestação coletiva. Acreditamos, assim, que a formação das danças populares obedece a fatores e influências distintas daquelas que se observam na formação da música popular. Na música prepondera a criação direta do indivíduo. Na dança, a força-criadora mais potente se encontra no grupo social.

Daí termos dito que é problema secundário o sabermos de onde nos chegaram as danças populares. Nos tempos do Brasil - Colônia elas tiveram como "foco de irradiação" a pomposa Madri. E Paris, durante séculos, subjugou-nos inteiramente às suas modas, até que os soldados norte-americanos - pisando vitoriosamente o solo europeu ao fim da II Guerra Mundial - concedessem à sua Nova York um papel de importância cultural tão relevante quanto o desempenhado pela Cidade-Luz.

A origem das mais antigas danças populares brasileiras está escondida na Espanha dos séculos XVII e XVIII. E a origem imediata das danças gaúchas mais antigas se encontra nas velhas danças brasileiras. O Rio Grande do Sul iniciou seu processo de formação dois séculos e meio após a descoberta do Brasil; assim sendo, o Estado mais meridional da União sentiu, já em suas raízes, como principal força de influência, aquela profunda mestiçagem cultural que dois séculos de povoamento haviam elaborado no Brasil.

 

 

 

A mais típica representação tradicional do Rio Grande do Sul, no campo das danças, é o velho "fandango". Chamou-se "fandango', no antigo Rio Grande, a uma série de cantigas entre meia das de sapateado. Estas canções, bem como o ritmo - a música, enfim eram essencialmente mestiças do Brasil; já o sapateado - amoldado ao ritmo regional - se originara das antigas danças de par solto, características da romântica Espanha. Estes bailados espanhóis constituíram o primeiro "ciclo" ou "geração" coreográfica que interessa ao estudo da formação das danças populares brasileiras.

Lançado da Côrte de Luiz XIV veio o Minueto, mais tarde, dar origem a nova geração coreográfica: as danças graves, de pares ainda independentes uns dos outros.

Da Inglaterra surgiu a "country dance" - e esta gerou o ciclo das contradanças e quadrilhas, bailados de conjunto, sob comando, de pares absolutamente dependentes uns dos outros.

Finalmente, a valsa veio abrir caminho para uma última geração coreográfica, que chegou até nossos dias: as danças de pares enlaçados.

Estas gerações coreográficas chegaram a Paris, e ali se enraizaram, tangidas pelos fenômenos mais complexos, tais como a Descoberta da América, o Século do Rei-Sol, a Revolução Francesa e a derrota de Napoleão. A vida social, em Paris, sofria a influência de tais fatos, e espalhava, por todo o círculo de preponderância da cultura ocidental, novas idéias, novas técnicas, novas "modas", novas danças.

O Rio Grande do Sul - dentro da órbita de influência da "Capital do Mundo' - necessariamente acusou em suas danças essa ascendência parisiense.

Uma página do tradicionalista Cezimbra Jacques, escrita em fins do século passado, resume - com referência ao Rio Grande do Sul - tudo o que poderíamos dizer sobre o processo de formação das

 

danças gaúchas. Eis o tópico essencial: "Entre as altas classes, o fandango, que até pelos anos de 1839 e 1840 ainda era muito usado, foi sendo substituído pelas danças vindas da Europa, como o ril, a gavota, o sorongo, o monte negro, a valsa, e mais tarde as polcas, os chotes, as contradanças, as mazurcas, e finalmente as lindas havaneiras, expressão musical do langor e dos requebros".

Cezimbra Jacques fala-nos dessas danças somente no que se refere às altas classes, talvez porque julgasse desnecessário frisar que as outras camadas sociais - num fenômeno de imitação das "modas", que pode ser aquilatado em qualquer época - limitavam-se a receber, das altas classes, tais danças, desde que se observasse, nesse meio superior, uma geral aceitação durante um período de tempo mais ou menos longo.

 

Sempre que falarmos em história das danças, deveremos ter o cuidado de não afirmar origens, pois existem muitas controvérsias sobre este tema até porque o mesmo ritmo é encontrado em várias partes do mundo mudando apenas as características que cada região possui.

 

 

 

 

TERMINOLOGIAS DA DANÇA

 

DANÇARINOS

 

São todas as pessoas que participam de uma dança.

 

PAR

 

Um homem (peão/cavalheiro) e uma mulher (prenda/dama).

 

 

 

CUMPRIMENTO TRADICIONALISTA

 

Esta saudação deve ser executada no início e final de uma dança.

 

GIRO SAUDAÇÃO

 

Peão toma com sua mão direita a mão esquerda da prenda e esta realiza um giro 360º no sentido anti-horário passando por debaixo do próprio braço, sendo que ao final deste movimento a prenda efetua uma leve flexão de Joelhos e ele inclina a cabeça com um leve curvar de tronco.

 

LUGAR

 

É o espaço que o dançarino ocupa.

 

POSIÇÃO

 

É a postura do dançarino em relação a um ponto de referência, independente do lugar que ocupa.

 

RAIO DE AÇÃO

 

É o espaço utilizado para que cada dançarino (ou par) expresse, espontaneamente, sua liberdade individual, respeitando a exigência coreográfica de cada dança.

 

FRENTE A FRENTE

 

Quando os dançarinos estão frente a frente (face anterior do corpo) mais ou menos voltada uma para a outra.

 

FILEIRA

 

Disposição de no mínimo 03 dançarinos em alinhamento lateral, voltados mais ou menos para a mesma frente.

 

COLUNA

 

Disposição de no mínimo 03 dançarinos postados um atrás do outro.

 

 

 

 

PARES ENLAÇADOS

 

O homem coloca sua mão direita às costas da mulher, próxima a linha da cintura, e com a palma da mão esquerda, sem entrelaçar os dedos, dá sustentação à palma da mão direita da mulher, uma vez que, sua mão esquerda descansa sobre o ombro direito do homem.

 

COMPASSO

 

É a medida que divide um trecho musical em partes iguais, agrupando e coordenando seus valores. Cada grupo, ou seja, cada COMPASSO encerra uma série de movimentos de igual duração que se chamam TEMPOS. Os compassos são separados entre si por linhas perpendiculares a pauta chamada TRAVESSÃO, que podem ser simples ou dobrados, dependendo da importância de certas mudanças no trecho musical.

 

TEMPO

 

Pulsações regulares sobre as quais se desenvolvem os ritmos. As pulsações comparam-se, inicialmente ao “ tic tac” do relógio ou as batidas do coração.

 

TIPOS DE COMPASSO

 

Binário - 2 tempos por compasso. Ex: de dois compassos binários / UM dois – UM dois.

 

Ternário - 3 tempos por compasso. Ex: de dois compassos ternários. UM dois três – UM dois três.

 

Quaternário - 4 tempos por compasso. Ex: de dois compassos quaternários. UM dois três quatro – UM dois três quatro.

 

RITMOS

 

Para Willemf – “O Ritmo é movimento ordenado”. É a chave da educação rítmica. Está na própria natureza do educador, uma vez que o ritmo tem seu ponto de partida no deslocamento, tanto no tempo quanto no espaço, do centro de gravidade do próprio corpo. Quando se trata de desenvolver o senso rítmico, é preciso compreender a importância do corpo e de seus elementos fisiológicos: respiração, batimentos cardíacos e movimentos, particularmente da Marcha. A tomada de consciência dos batimentos do coração, do movimento respiratório e da cadencia da própria marcha contribuem para a aquisição dos automotivos, das medidas e dos tempos que os constituem. Esta intimamente ligado à parte fisiológica do ser humano.

Jaques - Dalcrose (1865-1950), ao criar a rítmica, baseou-se no principio de que as execuções de ritmos corporais contribuem para o desenvolvimento da musicalidade. O ritmo é o resultado da organização sistemática da duração do som em suas múltiplas possibilidades.

 

 

CLASSIFICAÇÃO DOS RITMOS:

 

Binário - Este ritmo corresponde ao compasso Binário, composto por dois tempos, por exemplo, o “2/4” (caracterizado pelo acento de “Ir de dois em dois tempos”, sendo que o acento principal e mais forte “cai” sempre no 1º tempo). É o que podemos identificar na Vaneira ou no Bugio.

 

Ternário - Este ritmo corresponde ao compasso Ternário, composto por três tempos, por exemplo, o “3/4” (caracterizado pelo acento de “Ir de três em três tempos”, sendo que o acento principal e mais forte está no 1º tempo, e os outros dois acentos são considerados débeis ou fracos). É o que encontramos na Valsa ou Rancheira.

 

Quaternário -   Este ritmo corresponde ao compasso quaternário, composto por 4 tempos, por exemplo o “4/4” (caracterizado pelo acento de “Ir de quatro em quatro tempos”, sendo que o acento principal e mais forte está no 1º tempo, e os outros três acentos são débeis ou fracos). É o que podemos identificar no Tango.

 

BUGIO

 

Quando falamos em Bugio, lembramos do primata das matas do sul do Brasil, macaco de pelos avermelhados que em muitas de suas atitudes imita ou se parece com o ser humano.

Segundo Paixão Cortes e Barbosa Lessa, em pesquisa realizada por volta de 1940 encontram na região das Missões, Planalto e Serra Gaúcha o Bugio sendo dançado em todas as classes sociais.

Inicialmente o Bugio era tocado em gaita ponto, ou popularmente como é

chamada de gaita de voz trocada que ao abrir e fechar fole tirava-se sons que pareciam ser o do ronco do Bugio, e é assim que surge o ritmo essencialmente gaúcho que tem como sua principal característica o jogo de fole. Mas a relação com o primata não para por ai, pois nos passos da dança imitamos o Bugio na forma de caminhar dando pequenos saltos, ora para um lado, ora para outro.

 

* FORMA DE DANÇAR:


Os passos do bugio são executados em saltos de Polca, porém agora mais compassado. Preste bastante atenção quando do primeiro passo de abrir, pois é neste tempo que executamos um pequeno salto

 

 

CHAMAMÉ

 

Associa-se a palavra “Chamamé” à expressões como “assim no más”, “qualquer coisa”, “a minha amada”, “de qualquer maneira”. A dança originou-se na tribo indígena “Kaiguá”, entre Brasil e Corrientes, pelos índios era conhecida como “Polkakirei”, uma polca movida em ritmo ágil e contagiante, a palavra chamamé teria origem em na frase “Che amoa memé” que significa “te protejo”. Da forma que foi introduzida no Rio Grande do Sul já se perdera parte de sua originalidade. Tomou novas formas, outros instrumentos foram sendo introduzidos e este ritmo se tornou um dos mais empolgantes do nosso Fandango Gaúcho.

 

* FORMA DE DANÇAR:


Sempre alternando um pé e outro como no passo de marcha.
1º movimento: peão avança com seu pé esquerdo em diagonal esquerda, pousando-o no solo e flexionando naturalmente os joelhos. A prenda recua o pé direito, pousando-o no solo atrás do esquerdo.

2º movimento: o pé direito do peão e o esquerdo da prenda realizam uma marcação no lugar.

3º movimento: o peão recua seu pé esquerdo, mais ou menos ao lado do pé direito. A prenda avança seu pé direito para posta-lo próximo ao pé esquerdo.
O 4º, 5º e 6º movimento são repetições dos anteriores, porém executados com pés contrários.

 

CHAMARRA / CHIMARRITA

 

O nome Chama-Rita foi introduzido pelos colonos açorianos quando da formação do Estado do Rio Grande do Sul conforme conta João Carlos Paixão Cortes e Barbosa Lessa na sua obra “Danças e Andanças da Tradição Gaúcha”.
Em principio do século XIX a Chamarrita ou Chimarrita já era uma espécie de de Chotes e Valsa quanto a dança e uma espécie de havaneira quanto ao ritmo.
Pode-se chamar de Chamarra ou Chimarrita, certo mesmo é que um ritmo muito bom de se dançar.

 

* FORMA DE DANÇAR:


Os movimentos da Chamarra são semelhantes aos da Vaneira, obedecem ao dois pra lá e dois pra cá, diferenciando-se apenas no segundo e no sexto movimento onde acontece uma leve flexão de joelhos tanto do peão quanto da prenda.

 

 

CHOTE

 

O chote pode ter tido sua origem na Hungria, mas existem muitas divergências a este respeito. De acordo com Câmara Cascudo, o chote teve sua aparição no Brasil graças ao professor de danças Julles Transsaint, que em 28 de junho de 1851 lançou o chote com sucesso no Rio de Janeiro. Além do Rio Grande do Sul o Chote também é muito executado no nordeste brasileiro nos famosos bailes chamados de Forró.

 

* FORMA DE DANÇAR:


A dança do Chote nos possibilita algumas variações, além da forma enlaçada, encontramos os pares dando-se as mãos e executando figuras como é chamado o chote figurado.

 

 

CONTRAPASSO

 

Segundo Algacir Costa, o contrapasso nascera de uma imitação à Marchinha Européia executada em instrumentos de sopro pelos italianos e alemães que colonizaram o Rio Grande do Sul, mas assim como outros ritmos, sofreu alterações quando tocada em instrumentos rude-crioulos.

Acredita-se que este ritmo só existe no Rio Grande do Sul e assim como o Bugio é ritmo autenticamente Gaúcho.

 

* FORMA DE DANÇAR:


A dança do contrapasso tem sua coreografia igual ao da marcha porém com seu ritmo um pouco mais lento . Incluiremos neste ritmo um passo que aqui denominaremos de “No Contrapasso”.

 

MARCHA

 

A marcha que marcou época em nosso País foi a Marcha “O Abre Alas” composta por Chiquinha Gonzaga para o Rancho Carnavalesco Rosa de Ouro em 1899, inspirada pelo ritmo marchado utilizado pelos negros quando desfilavam se requebrando pelas ruas.

Um dos ritmos colaboradores para as danças de pares enlaçados foi o One Step, criado nos Estados Unidos no final do século XIX e inicio do século XX, que logo a seguir veio influenciar as danças de salão brasileiras.
No Rio Grande so sul a Marcha tem maior aceitação nos lugares onde predomina a colonização alemã.

 

* FORMA DE DANÇAR:


No exemplo ao lado mostramos um deslocamento onde o peão anda para frente e a prenda se desloca para trás, mas os passos de marcha podem ser executados em qualquer direção, desde que se obedeça 1 passo para cada tempo da música. Esta mesma dinâmica serve para o Chamamé e Contrapasso.

 

MAZURCA

 

Muito parecida com a Rancheira, a Mazurca tem como principal diferencial a acentuação no segundo tempo da música em meados do século XIX, espalhou-se pela Europa iniciando na Alemanha, fixando-se logo em seguida em París.

Entre os anos de 1820 e 1850 chega ao Brasil, foi dançada nos salões gaúchos, mas infelizmente não teve a mesma aceitação como aconteceu com a valsa e a rancheira.

 

* FORMA DE DANÇAR:


Ritmo também executado em seis movimentos, como a exemplo da Valsa e Rancheira, a Mazurca diferencia-se apenas pelo tempo forte que agora é no segundo tempo da musica.

  

MILONGA

 

Segundo Câmara Cascudo, na língua Bunda, da República de Camarões, Melunga no plural torna-se Milonga, palavra que, por volta de 1829, em Pernambuco, significa enrolação, conversalhada, enredo.

Popular no subúrbio de Montevideo e de Buenos Aires ao final do século XIX é canto e dança do tipo da habaneira e do Tango Andaluz.

No Rio Grande do Sul, a Milonga foi introduzida ao som da viola que acompanhava os pajadores, logo em seguida outros instrumentos musicais foram sendo adaptados a este ritmo.

Acredito que a Milonga seja o ritmo mais romântico dos fandangos gaúchos, acho que os compositores escolheram a Milonga para declarar seus amores, seus romances.

 

 

* FORMA DE DANÇAR:

A Milonga pode ser dançada de três maneiras diferentes:
1) Milonga Havaneirada: copiando os passos da vaneira;
2) Milonga Tangueada: dançada em passos de marcha;
3) Milonga Riograndense: dançada no chamado dois e um;
Escolha a melhor forma e dance mais este ritmo dos fandangos gaúchos.

 

POLCA

 

Dança de ritmo rápido, a polca é uma dança viva e alegre. Trazida pelos alemães a polca chegou ao RS e sofreu alterações em sua denominação e execução tais como: Arrasta-Pé, Gasta-Sola ou Serrote, quando os passos de marcha eram arrastados sobre os assoalhos dos salões gaúchos. No nosso estado a polca foi adaptada em algumas brincadeiras como a polca de relação, polca das cadeiras entre outras.

 

 

 

* FORMA DE DANÇAR:


Pode-se dançar polca em passos de marcha arrastados com a mesma dinâmica dos movimentos da marcha, observando um passo para cada tempo musical e não deve haver contagem de passos (dançar livremente) ou em saltos de polca. Movimento este que deverá ser utilizado no ritmo Bugio. Bastante atenção para o ritmo pois é bastante rápido. Divirta-se conosco, mas sem perder o fôlego.

 

POLONAISE

 

Segundo a obra “Humaitá Cultura Espontânea de Sua Gente” a Polonaise começa a ser relatada a partir de 1645 e teria sua origem de uma marcha triunfal de antigos guerreiros poloneses. No começo era dançada apenas por homens, mas com a evolução dos tempos foi aceita por pares mistos, dispostos de acordo com a idade e grau de nobreza.

No Rio Grande do Sul teve grande aceitação e tornou-se uma dança de integração entre os participantes dos fandangos gaúchos, sendo dançada no início ou pontos culminantes de festividades.

 

* FORMA DE DANÇAR:


Posição Inicial: Os pares formam duas colunas no centro da sala, de um lado peões e a sua direita prendas, tomados pelas mãos.

Figura 1: iniciam a volta de apresentação, onde o casal que esta a frente (par guia) conduz o restante do grupo contornando a sala no sentido anti-horário e retornando a sua posição inicial.

Figura 2: Os pares soltam-se as mãos e prendas vão para sua direita e peões para a sua esquerda, contornando a sala e se encontrando próximo aos músicos retornando mais uma vez a posição inicial.

Figura 3: semelhante a figura anterior porém agora os pares vão alternadamente se dividindo em um casal para cada lado retornando mais uma vez a posição inicial.

Figura 4: ao chegarem nas proximidades do palco os pares se aproximam e formam 01 dupla de casais, ou seja 4 dançarinos e desta formam passeiam pelo centro da sala e ao chegarem a extremidade oposta a dos músicos novamente alternando-se 02 casais para cada lado.

Figura 5: estes casais ao chegarem próximos ao palco podem se juntar novamente formando agora uma fileira com 4 casais e desfilar pela sala até chegar a extremidade oposta a dos músicos e se dividirem novamente em 2 casais para cada lado.

Figura 6: os casais novamente

passeiam pelas extremidades da sala e se encontram próximos ao palco agora formando no centro da sala fileiras com 02 casais.

Figura 7: ao chegarem na extremidade oposta a do palco os casais se separam novamente indo agora 1 casal para cada lado. Estes ao chegarem próximos ao palco deverão se intercalar voltando assim a posição inicial da dança.
OBS: Descrevemos aqui algumas figuras básicas, mas pode-se criar muitas figuras com formações das mais variadas possíveis, como por exemplo, fileiras, rodas, túneis, entre tantos outros desde que não se perca as características da dança.

 

RANCHEIRA

 

Criada a partir do ritmo Mazurca, que se difundiu pelo Brasil quando do surgimento do rádio, a Rancheira tem sua característica própria diferenciando-se por ter sua acentuação forte no 1° tempo da Música e não no 2° tempo como é o caso da Mazurca.

Neste vídeo veremos a rancheira dançada de forma enlaçada, mas no Rio Grande do Sul encontramos uma variação onde os dançarinos formam duas fileiras, de um lado os peões com a frente do corpo voltada para a extremidade do salão e do outro as prendas, de costas para as extremidades do salão e de frente para o seu par, formando uma espécie de túnel, podendo ser de mãos dadas ou não. O último par a direita dos peões passa por dentro do túnel se posicionando na outra extremidade, todos os pares executam este movimento de forma que este trenzinho ande pela sala.

 

* FORMA DE DANÇAR:


O passo da Rancheira é semelhante a Valsa de seis movimentos, a diferença é que no 1°e no 4° movimento acentua-se uma batida de toda a planta de pé por parte do peão podendo a prenda executar com a meia planta do pé. Vamos aprender aqui duas formas de dançar Rancheira, uma a Moda da Fronteira parecido com a valsa, porém acentuando-se a batida e outra a Moda Serrana, igualmente nas batidas porém um pouco mais saltitada.

 

TANGO

 

Criado no fim do século XX, nos subúrbios de Buenos Aires, capital da vizinha Argentina, o Tango marca a história e se torna um dos ritmos mais conhecidos do mundo, pela beleza das melodias, mas principalmente pelo encanto dos passos. A palavra tango tem sua origem africana, através do espanhol platino, e significa batida ou pequeno tambor africano.

 

* FORMA DE DANÇAR:


O tango dançado no Rio Grande do Sul é mais simples que o dançado em teatros e casas de espetáculo de Buenos Aires, nossa vestimenta de fandango não nos permite muito malabarismo, dançado em passos de marcha o Tango dos salões gaúchos tem como característica principal o envolvimento entre o par.

  

TEROL

 

O terol é ritmo que tem sua origem da Mazurca, e se tornou popular principalmente no litoral norte e planalto nordeste do Rio Grande do Sul. Tem como característica os passos puladinhos. Ao invés de enlaçar o par como na valsa o casal pode também tomar-se pelos braços conforme vimos na parte de postura e condução do par.

Hoje em dia o passo de terol também é dançado quando se toca uma rancheira a exemplo do pau de fitas, dança tradicional do Rio Grande do Sul. Há, e não vamos esquecer do terol sapateado que pode ser executado entre meio aos pulinhos de marcha.

 

* FORMA DE DANÇAR:


Neste ritmo pode-se observar que os movimentos são os mesmos dos passos de marcha, porém agora saltitados e em meia planta de pé. Hoje em dia pela pouca variação de ritmos nos bailes se executa o passo de terol no ritmo da Rancheira, podendo a postura ser apenas aquela onde o peão e prenda tomam-se pelos braços ou enlaçados como na Valsa. Neste ritmo existe uma variação onde ao invés de saltitar o par executam batidas de toda a planta, sendo duas batidas para cada tempo da música.

  

VALSA

 

Ritmo que não pode faltar nas festas mais tradicionais da nossa sociedade: casamentos, aniversários, nos bailes de sarau. A valsa a muito tempo vem sendo a rainha das danças de salão, homenageada pelos maiores compositores da história como por exemplo Mozart, Bethoven, Strauss, entre outros. Sua origem mais recente é das danças rústicas Alpinas da Áustria.
Ao Brasil este ritmo chegou por volta de 1816 quando era muito dançada no Primeiro e Segundo Império e esta acabou caindo nas graças do povo. Para o Rio Grande do Sul, a Valsa foi trazida pelos imigrantes alemães e assim como outros ritmos ganhou características regionais tanto na música quanto na dança.

 

* FORMA DE DANÇAR:


Existem três formas de dançar valsa. A Valsa Clássica e Capeira com seis movimentos, sendo três movimentos para cada lado e a Valsa Brasileira com quatro movimentos, sendo dois movimentos para cada lado.

 

VANEIRA / VANEIRINHA / VANEIRÃO

 

Sem sombra de duvida, a vanera é o ritmo mais apreciado e mais executado nos bailes gaúchos.

Ritmo afro-cubano a Habaneira influenciou vários ritmos dos paises hispano-americanos sendo difundida na Espanha.

Conhecida também como Havaneira, acredita-se que seu nome tenha sido uma homenagem a capital de Cuba, Havana ou também como é conhecida La Habana. Chegou ao Brasil por volta de 1866 e influenciou não só ritmos do RS como também o samba canção dos cariocas.

No Rio Grande do Sul, a Vaneira ou vaneira ganhou outros nomes, de acordo com o andamento da música. Vaneirinha para ritmo lento, vaneira para ritmo moderado e vaneirão para ritmo rápido.

 

* FORMA DE DANÇAR:


Os movimentos que demonstraremos a seguir servem tanto para a Vaneira, Vaneirinha e Vaneirão, mudando apenas o seu andamento. Semelhante ao passo de Polca, os passos da Vaneira devem ser executados em quatro movimentos para cada lado, o conhecido dois pra lá e dois pra cá.

  

 
 
 

 

 


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